VALIDAÇÃO

De vez em quando vemos algumas bizarrices na cena Biker que causam uma vergonha alheia grande. Uma dessas bizarrices é a
famosa necessidade de validação. Algo que, na verdade, produz um efeito inverso do que se pretende.

Quando vemos um clube fazer publicações específicas de suas supostas "conquistas", escondidos atrás de uma tela ou por uma tentativa de auto afirmação, por exemplo, conseguimos entender que na verdade, esse clube quer apenas dizer que ele quer ser como um grande clube, que já foi validado por suas grandes conquistas. Mas o fato é que a validação, o respeito, a veneração nunca virá pelo que você diz, mas pelo que você faz. 

E a atitude de ação, apesar de partir de um clube incrível de verdade, será reconhecida não por esse clube, mas pelos frutos que se produz fora. Ou seja, a validação vem da própria cena que ele está inserido (ou não),  composta de apenas alguns que seguem mais ou menos uma mesma convenção, em que apenas esses clubes irão compreender e regular.

A validação é externa e vem do reconhecimento orgânico dessa subcultura, nunca de uma propaganda deliberada.

Mas, calma, a propaganda é a alma do negócio. Sim. A propaganda boa sempre reflete um fato. Mas quando a propaganda é um embuste, produz afastamento ou chacota. Meme. Risos. 

Pois quem sabe do que se trata o  negócio age por si, nunca pelos outros. E de suas atitudes voltadas para sua própria filosofia serão validadas por quem tem a mesma essência. Não há misturas, não há concessão grátis por puro grito de cachorro banguela.
Ser parte da matilha sempre vai refletir algo mais profundo e duradouro. Vai exigir principalmente tempo, coesão, homens e engrandecimento interno principalmente. Não dá pra validar algo no começo, ou pior ainda, não dá pra validar o que não é reconhecido. 

Mas é fato que na cena existem bons embriões, mas eles tem que passar da idade adulta pra serem vistos e talvez, respeitados.

O grande problema da cena, nublada pela vaidade, é o consumo das fórmulas pré-fabricadas pela mídia, pela fantasia e pela ingenuidade de querer ser sem poder. 

Muitos conflitos surgem daí. E a separação se evidencia nesse ponto. A dificuldade de ser o que se quer ser de fato sempre residirá no sacrifício e no tempo gasto com isso. 

Mundialmente, foram poucos que conseguiram isso. É uma peneira grande e cheia de espinhos. Só os fortes chegam lá. 

Mas, não há desânimo de quem possui o espírito e a resiliência para isso. Esses homens, de uma forma ou de outra, acabam sendo direcionados pela cena que eles acreditam e essa cena os absorverá. 

Desse modo, num mundo de fantasias e bizarrices, as ilhas de verdade ainda existirão, isoladas, mas com uma rede muito bem interconectada. A pergunta que se faz é: quem conseguirá atravessar esse oceano de idiotices para alcançá-las?

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